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Política

Carla Pollake nega vínculo com estado, mas usava cartão de visita do governo

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A jornalista Carla Pollake da Silva, citada na CPI da Saúde como figura importante nas decisões do Governo do Amazonas e autora do projeto ‘Anjos da Saúde’, de R$ 6 milhões, negou as atribuições e afirmou que nunca foi funcionária comissionada do estado, mas que possui cartão de visitas do governo autorizado pelo governador Wilson Lima. Carla também disse que dava sugestões pessoais ao governador, mas que nunca recebeu nada por isso.

Em depoimento à CPI da Saúde na manhã desta segunda-feira, 6, Carla Pollake negou que tenha qualquer vínculo com o governo. “Nunca prestei serviço nem ao governo do estado do Amazonas e a nenhum a outro governo”, afirmou. Entretanto, ao ter a imagem do cartão de visitas apresentado pelos deputados no depoimento, Carla disse que em alguns momentos o usou com alguns clientes com a autorização de Wilson Lima.

“Ele (Lima) autorizou eu a falar (que dava consultoria a ele)”, disse. Embora tenha o seu nome, Pollake negou que seja seu o cartão. “Não é o meu cartão de visita”. Em seguida afirmou que já o utilizou com alguns clientes. “Eventualmente, mostrei a alguns clientes”, afirmou. “Então, é um cartão de visita seu”, rebateu o presidente da CPI, deputado Delegado Péricles. Ela negou.

A jornalista informou que conhece Lima desde 2013 quando veio para Manaus prestar serviços pela Rede Record à TV Acrítica. Na época, o governador era apresentador do programa local ‘Alô Amazonas’. Segundo ela, desde então ficou amiga de Lima. “O atual governador é um amigo, isso nunca foi velado”, disse.

Pollake disse que começou a atuar na TV Acrítica em fevereiro de 2016, após sair da Record. Mas em dezembro 2017 saiu da emissora local por um problema de saúde do pai. “A minha saída da TV não foi uma saída tão tranquila. Foi uma saída que não teve uma acordo muito amigável, e desde então não tive mais nenhum vínculo com emissora”, disse.

A amizade com Lima também rendeu conselhos ao apresentador quando se lançou candidato nas eleições para governador em 2018. Pollake disse que na época Lima lhe ligava com frequência para pedir orientações sobre imagem. Também conversavam quando ele ia a São Paulo.

Apesar das orientações, Pollake negou que tenha recebido dinheiro ou atuado diretamente nas eleições com Lima. “Eu não participei de vir aqui participar”, disse. Segundo ela, em 2018 morava na cidade de São Paulo dando aulas na Faculdade Casper Líbero e em setembro do mesmo ano, sua mãe morreu.

Quando Lima ganhou a eleição, ela disse ter sido convidada para compor sua equipe, mas que recusou. “Depois que ele (Wilson Lima) ganhou, ele me chamou para a equipe e eu sempre recusei. Esse convite veio pelo menos umas três vezes”, disse. “Me comprometo a sempre que você quiser bater um papo para trocar ideias como amiga”, disse à CPI. Segundo Pollake, a gravata vermelha que Lima usou na posse foi sugestão dela. “A gravata vermelha dele no dia da posse foi uma sugestão”, revelou.

No início de fevereiro deste ano surgiram as primeiras conversas entre o governador e a jornalista sobre o projeto ‘Anjos da Saúde’. “Carla, eu estou pensando neste ano em investir na saúde. Estou pensando em um projeto, o que você acha do ponto de vista da minha imagem, se vai agregar”, perguntou Lima à Pollake, segundo revelou a jornalista. “Eu perguntei sobre o projeto ele (Lima) disse:‘Ah, eu vou te mandar o que é o projeto, uma ideia e tal’. Ele mandou por Whatsapp mesmo”, disse Carla Pollake.

Após ver o projeto, Carla Pollake deu um parecer sobre o que achava. “Eu olhei e vi que o projeto tinha uns pontos que para a imagem dele eram positivos”, afirmou. “Perguntei para ele (Lima) por exemplo se o projeto ia ter contrato com a iniciativa privada, cooperativas. Ele me esclareceu que não”, disse.

Pollake disse que no final de fevereiro veio a Manaus com o marido, que mensalmente vem à capital a trabalho e na ocasião esteve com Wilson Lima quando perguntou sobre o projeto e entrou em contato pela primeira vez com o ex-secretário de Saúde Rodrigo Tobias.

“E acho que no final de fevereiro consegui vir para cá”, disse. “Realmente, um dia eu estava com o Wilson e perguntei como que estava aquele projeto (Anjos da Saúde)“. Aí ele disse: ‘Boa pergunta, tenho que ver como vai andar’. Aí ele disse: ‘Liga pro Tobias’, nem falou que era secretário. Aí eu disse: ‘Mas governador, eu vou ligar para alguém que nem tenho contato?’, relatou.

Pollake disse ter ligado para Rodrigo Tobias, que se apresentou e que estava em reuniões do governador de vez em quando. Perguntou sobre o projeto e o ex-secretário afirmou que tinham pendências do governo passado. Após isso, nunca mais falou com ele, segundo a jornalista.

Apesar de ter falado diretamente com o secretário de saúde à época, Pollake disse que achava que o projeto seria desenvolvido dentro de uma secretaria social e que ficou sabendo pela CPI que estava ligado à Susam.

Carla negou que pressionou Tobias para aceitar o programa. O presidente da CPI apresentou, no entanto, trecho do depoimento de Tobias em que ele confirma que Pollake foi quem pediu para que ele aprovasse o “Anjos da Saúde”.

Em seu depoimento, no último dia 29 de junho, Tobias disse que recebeu orientação para que a implantação fosse rápida e o deputado Serafim Corrêa atribuiu à pressão para executar o programa à troca de nomes na gestão da Susam.

Apesar de ligar para Tobias para falar do projeto, Pollake negou ter falado sobre o ‘Anjos da Saúde’ com outras pessoas além de Wilson Lima. Também disse que não participava ativamente de reuniões com secretários. “Eventualmente, ele (Lima) me chamava para reuniões pontuais, tinham secretários”, disse. “Eu ficava calada só anotando”. Segundo a jornalista, os dados eram apenas para fazer observações sobre as posturas do governador.

Embora afirme que não tenha tido participação ativa em reuniões do secretariado, Pollake foi quem apresentou a nova secretária de saúde, Simone Papaiz. Segundo a jornalista, no dia da apresentação de Papaiz o ex-secretário não compareceu e o governador não estaria presente e que por isso Lima pediu a ela que apresentasse Simone. “Carla, se você puder, pode apresentar a Simone para as pessoas que vão estar aqui?”, disse o governador, conforme relato de Pollake.

Questionada pelo deputado Serafim Corrêa sobre o porquê ter assumido uma função de apresentar Simone no lugar da de Daniela Assayag, ex-secretária de Comunicação que estava presente, Pollake disse que não achou que ficou acima da secretária de Comunicação e que atendeu um pedido.

“Deputado, eu não vi como responsabilidade. Eu realmente não tive esse tom. Eu entendo a visão dos senhores de pensar esse lado de hierarquia”, disse. “O mais importante é que o público percebe, eu percebo que a senhora tem muito mais poder do que percebe”, rebateu Serafim.

Carla Pollake negou que em todo esse período, em qualquer uma das situações que deu consultoria ao governador, tenha recebido algum pagamento por isso ou interferiu no governo. Mesmo questionada pela CPI sobre o motivo para isso, a jornalista não esclareceu os motivos para a prestação dos serviços gratuitos.

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