Granjas comerciais e criações de subsistência foram selecionadas obedecendo critérios como número de animais e risco de contaminação para Influenza Aviária e Doença de Newcastle
Foto: Divulgação/Adaf
A Agência de Defesa Agropecuária e Florestal do Estado do Amazonas (Adaf) iniciou, neste mês de fevereiro, mais um ciclo do inquérito epidemiológico para confirmação de que não ocorre transmissão local de Influenza Aviária e Doença de Newcastle. O prazo para visitar 190 granjas, distribuídas por 31 municípios, vai até 30 de junho.
“A Adaf começou a realizar o terceiro ciclo consecutivo do Plano de Vigilância para Influenza Aviária e Doença de Newcastle. Nesse ciclo, a gente vai avaliar 190 propriedades, sendo 112 comerciais e 78 de subsistência. Então, é possível que você, produtor, receba na sua propriedade uma equipe da Adaf para coletar amostras de sangue e de swabs de cloaca e traqueia das aves”, destacou a coordenadora do Programa Nacional de Sanidade Avícola (PNSA) da agência, Larissa Araújo.
De acordo com a coordenadora, as propriedades foram selecionadas obedecendo critérios como número de animais e risco de contaminação. No caso das granjas comerciais, serão visitadas as que tiverem acima de mil aves, independentemente de serem registradas. Quando se trata de subsistência, a seleção considera critérios de risco, priorizando propriedades próximas a lagos e rios, onde há mais chances de contato com aves silvestres, com animais criados soltos e com múltiplas espécies criadas juntas.
Foto: Divulgação/Adaf
“Temos um mapa de risco para introdução de Influenza Aviária, que contempla o avistamento de aves migratórias e é um outro parâmetro para nortear a escolha dessas propriedades”, completou a coordenadora.
Até o momento, as equipes já percorreram 59 propriedades, nos municípios de Manacapuru, Iranduba, Anori, Urucurituba e Itacoatiara. As amostras ficam armazenadas em temperatura adequada no Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen), da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), até o envio para análise em laboratórios de Campinas (SP) e Recife (PE).
A execução do inquérito epidemiológico coincide com o alerta que o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) lançou para a Defesa Agropecuária de todo o Brasil, diante dos novos casos de Influenza Aviária registrados em países vizinhos, desde dezembro do ano passado.
As doenças
Tanto a Influenza Aviária quando a Doença de Newcastle são causadas por vírus, com alto poder de contágio e impactos severos para a avicultura. A Adaf pede a colaboração dos produtores, profissionais da área e da população em geral para que notifiquem imediatamente à agência eventos excepcionais de mortalidade de aves silvestres ou ocorrência de sintomas. A notificação pode ser presencial, em qualquer unidade da autarquia, pelo telefone (92) 99255-5409 ou pelo site (adaf.am.gov.br), no campo e-Sisbravet.
A Influenza Aviária pode causar tosse, espirros, secreção ocular e nasal, diarreia, desidratação, apatia, falta de coordenação motora, perda de apetite, inchaços na cabeça e pescoço, hemorragia nas pernas e queda drástica na produção de ovos, além de aumento repentino na mortalidade das aves. Os sintomas mais frequentes da Doença de Newscastle são tosse, espirro, problemas respiratórios, letargia, perda de apetite, paralisia das asas e pernas, pescoço torcido, tremores e movimentação em círculos.
Cuidados e plano de contingência
Diante do alerta dado pelo Mapa por conta dos casos de Influenza Aviária na América do Sul, a Adaf está reforçando junto aos produtores a necessidade de atentar para as medidas de biosseguridade, além da elaboração de um plano de contingência.
Os cuidados com o plantel incluem a redução de visita de pessoas alheias à produção, manutenção de telas e cercas de forma a impedir a entrada de outros animais e atenção à qualidade da água. No caso da avicultura de subsistência, como a maioria das aves tem a criação livre, caso não seja possível manter os animais em ambiente reservado, é importante que a alimentação e a água fiquem em local fechado para que aves silvestres não sejam atraídas.
Foto: Divulgação/Adaf
Larissa destaca que, nesse cenário de alerta, os responsáveis técnicos, junto com os produtores, devem atualizar o plano de contingência para a doença. “A gente trabalha com as medidas de biosseguridade para evitar que a emergência aconteça, mas, se houver um agravo sanitário, temos que estar preparados para identificar esse foco e sanear o quanto antes, evitando danos à produção avícola”, reforça.
No dia 14, a Argentina confirmou um novo foco da doença em aves de subsistência na região de Chaco – Três Ilhas. A doença já havia sido detectada, este mês, no Peru, e, em dezembro do ano passado, na Colômbia.