A Operação Pachamama, realizada na fronteira entre Brasil e Peru, reforça a necessidade de transformar grandes operações integradas em presença permanente do Estado nas fronteiras e nas principais rotas fluviais do Amazonas. A avaliação é do deputado estadual Comandante Dan (Republicanos), presidente da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam).
Realizada entre os dias 24 e 28 de agosto, na região de Tabatinga e Islândia, no Peru, a operação reuniu forças brasileiras e peruanas, com atuação por terra, rios e ar, em uma área com raio superior a 250 quilômetros. Mais de 300 pessoas foram fiscalizadas, além de embarcações e cargas. A ação também atingiu estruturas ligadas a atividades ilegais, incluindo dragas de garimpo, e resultou em apreensões e sanções ambientais.
Para Comandante Dan, o modelo confirma a importância da integração das forças, da cooperação internacional e da atuação direta nos territórios por onde ingressam e circulam os ilícitos.
“A Pachamama mostrou o caminho: fronteira não se protege de Manaus para fora; protege-se da fronteira para dentro. Precisamos impedir que drogas, armas e outras atividades criminosas percorram centenas ou milhares de quilômetros pelos nossos rios para somente depois serem enfrentadas. A resposta precisa começar onde essas rotas entram no Amazonas”, afirmou.
O parlamentar defende que a lógica das grandes operações seja convertida em capacidade permanente de segurança, com integração das forças estaduais e federais, conexão operacional com Peru e Colômbia, bases estratégicas nas calhas dos rios, inteligência compartilhada, tecnologia de vigilância e fortalecimento das polícias Militar e Civil nos municípios de fronteira.
“A operação termina, mas a fronteira continua lá todos os dias. As organizações criminosas conhecem os rios, utilizam tecnologia, modificam rotas e procuram os vazios de presença do poder público. Precisamos substituir a lógica exclusivamente episódica pela ocupação permanente e inteligente do território”, defendeu.
A estratégia integra o conceito de territorialização da segurança pública defendido por Comandante Dan, que propõe planejar efetivos, bases, equipamentos e operações considerando fronteiras, calhas de rios, divisas interestaduais, distâncias e características criminais de cada região. O deputado também é autor da Lei Estadual nº 7.376/2025, voltada à atuação integrada no enfrentamento ao crime organizado.
O parlamentar relaciona esse cenário a outras ações recentes, como as operações Amazônia 2026, Ágata e Visão Noturna. Nesta última, a polícia Civil identificou uma estrutura que, segundo a investigação, utilizava drones, internet via satélite e observadores para monitorar deslocamentos das forças de segurança nos rios.
“Não estamos enfrentando estruturas improvisadas. O crime organizado utiliza logística, comunicação, tecnologia e inteligência. O Estado precisa responder com integração, antecipação e superioridade tecnológica”, destacou.
Para Comandante Dan, a estratégia deve impedir que as organizações criminosas avancem pelo território antes de serem enfrentadas.
“Precisamos construir uma linha permanente de proteção que comece na fronteira, acompanhe as principais calhas de rios e avance em direção a Manaus. É muito mais eficiente interceptar o crime na origem das rotas do que permitir que ele atravesse o Amazonas inteiro para enfrentá-lo próximo à capital”, concluiu.